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Introdução
O Dodge Dart SE foi lançado pela Chrysler em 24 de maio de 1972 e foi produzido até 1975. Com suas linhas simples, seu alvo era o público jovem, para quem outros modelos da linha Chrysler eram caros demais. Quase quatro décadas após o seu lançamento, o Dart SE ainda é um desconhecido. Sua pequena produção (alguns estimam que em 1975 apenas dois tenham sido fabricados), acabamento espartano e a concorrência de outros modelos Dodge que sofreriam grande desvalorização nos anos seguintes o colocaram no limbo da história da Chrysler do Brasil. Na verdade, eu acredito que o Dart SE seja, entre todos os carros fabricados no Brasil, aquele que mais se aproxima da definição clássica de um Muscle Car. É hora de darmos a este pé-de-boi o status de um clássico.
Como dito, a estratégia por trás do lançamento do SE era, basicamente, ter menor valor que seus irmãos, digamos, sofisticados, como o RT. Pra conseguir isso, porém, a Chrysler despojou o SE de tudo o que seria supérfluo, com duvidosos efeitos sobre o preço e desastrosoas consequências para a imagem do carro. O fato é que o SE não tinha cromados, frisos nem logotipos. Os freios eram a tambor, a tampa de combustível não tinha chaves e rádio nem pensar. E a lista continua: faltavam a luz de ré e de cortesia, retorno automático do pisca, trava e regulagem dos bancos, cinzeiros traseiros e esguicho do pára-brisa. Se você quisesse algo além do pacote, esqueça, pois em 1972 o SE não tinha opcionais fornecidos pela Chrysler. O jeito eram as concessionárias...
Já que estamos falado de preço, vamos analisar esse ponto. Em valores de 1972, segundo o Dodge Clube de Curitiba, um Charger R/T saia das concessionárias por Cr$49.000,00, o que dá uns R$127.555,71 (!) em valores de hoje (confira...). Já um Dart SE custava, em maio de 1972, menos de 30 cruzeiros, como dizia a propaganda de seu lançamento (R$29.868,00). Isso quivale a R$ 74.240,92 em valores corrigidos. Haja milagre econômico...
Em pouco tempo, o SE tinha um problema muito comum a outros carros da Chrysler, ao longo de sua história: a concorrência interna. No caso, com o Dart Luxo, pouco mais caro, porém indiscutivelmente mais atrativo (Dodge News). E para piorar, a crise do petróleo que estava por vir jogaria pra baixo o preço de outros modelos usados, o que só fazia atrapalhar ainda mais as vendas da linha SE. Raciocínio simples: pelo preço de um SE zero se comprava um RT com pouco uso. O resultado é que o SE sai de linha em 1975, seu último ano, com a fama de, além de ser um devorador de gasolina, como todos os outros V8 da Chrysler, ser um "pé-de-boi", pela simplicidade de acabamento e suas linhas despojadas. Por tudo isso, é um verdadeiro milagre que alguns exemplares ainda tenham sobrevivido os difíceis anos que estavam por vir.
Essa é a parte ruim da história. Agora, vamos falar do carro, o respeitável Dodge Dart SE! (>>)
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